Nascemos poema
e, sob o som estrondoso da vida,
perdemos ritmo, rima e verdade.
Trágica vaidade
a de querer ser completo.
Incerto é nosso motivo.
Sob intempestivas tramas,
nos tornamos desversado romance,
implacável realidade,
comum dissemelhança,
saudade.
E sem luz e sem platéia,
e sobre qualquer superfície,
pintamos,
com nosso impreciso punho
e com a última cor que nos sobra,
nossa mais bela e inclassificável obra.
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