Não se engane.
Não pense que sou quem pareço.
Que me venho fácil
e que me fico preso.
Não se engane.
Sou lua que foge com a nuvem
em tempestade desavisada.
Sou cheia e de repente nada.
Não se engane.
Não me tome por vencido,
que eu, ainda indivíduo,
possuo minhas vaidades.
Não se engane.
Não me economize por pompa,
como cigarro que se compra
e se fuma aos poucos.
Não se engane.
Me coma num só passo,
silente e vorazmente,
como se apodrecesse meu outro pedaço.
Não se engane.
Que transbordo por vontade,
rara e conscientemente,
mas me seco por súbita maldade.
Não se engane,
que não sou teu por natureza
e nem tenho a destreza
de me dar sem me ter de volta.
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