Quando os erros cobrem os acertos
e os medos não sucumbem ao tempo,
as rugas não crescem nem somem
e o sangue inflamado do homem
o trai intátil e velho,
cala.
Quando a tentativa é erro
e o recomeço é martírio,
o pensamento é tudo
e tudo é o que não cabe,
porque cada palavra mata,
cala.
Quando o segredo cria a doença
e a verdade só dói,
o descaso ronda o amor,
já tão descrente de si próprio,
e lhe algema as duas mãos,
cala.
Cala, porque já é madrugada.
Cala, por absolvição.
Cala e escuta o lamento do silêncio.
Cala como forma de oração.
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