outro: - Bom dia. Tudo bem?
hsp: - Não. Minha esposa faleceu há duas semanas.
outro: - Nossa, me desculpa.. não sabia. Eu lamento muito... mas com certeza ela tá num lugar melhor...
hsp: - Com certeza não, meu caro. O caixão que eu comprei tem estofamento, mas não se compara à nossa cama kingsize.
outro: - Eu quis dizer que... bem... eu fico nesse andar...
- O senhor me acompanha?
hsp: - É claro.
outro: - Não sabia que trabalhava nesse andar... nunca vi o senhor por aqui.
hsp: - Eu não trabalho aqui, trabalho no 7º andar.
outro: - Ah, bom! Mas então deve tá atrás de alguém por aqui.
hsp: - Não, na verdade estou na sua frente.
outro: - Eu quis dizer que...
outra: - Sr. Otávio! Soube da sua esposa... lamento muito.
- Deve ter sido difícil voltar ao trabalho...
hsp: - Não. Eu vim de carro. Aliás, o trânsito nunca esteve tão tranquilo.
- Só estou um pouco atrasado porque o Seu Gerson me pediu que o acompanhasse.
outro: - Seu Gerson? Eu?
- Mas eu só perguntei se...
outra: - Gerson! Não vê o estado do homem?! Ainda toma o tempo dele...
- O senhor não devia dar ouvidos a ele, Sr. Otávio. Às vezes, o Gerson não enxerga as coisas.
hsp: - Então certamente não devo dar ouvidos a ele, mas sim um bom óculos de grau.
- Já consultou um oftalmologista, Seu Gerson?
outro: - Não, Sr. Otávio... Ela quis dizer que eu não tenho... sensibilidade.
hsp: - Ah, mas então o problema é muito mais sério, Seu Gerson.
- Se não sente nada, deve estar com uma doença muito grave.
outro: - Epa! Vira essa boca pra lá!
hsp: - Virar a boca? Por quê?
outro: - Não... Eu quis dizer: Não fala assim! Dá azar!
hsp: - Mas então deve ser por isso que minha esposa faleceu. Nunca virei a boca para falar com ela.
- Por que não me falaram isso antes?!
outro: - Não, Sr. Otávio... isso não teve nada a ver com a sua boca, não podia fazer nada.
- O destino quis assim. Nem tudo tá ao nosso alcance.
hsp: - Mas para isso existem as escadas, meu caro.
- Você não as conhece?
outro: - Sim, Sr. Otávio.
- Agora, se o senhor me der uma licença, eu vou trabalhar.
hsp: - Eu não posso.
outro: - Como assim, não pode?
hsp: - A licença para trabalhar quem dá é a Dona Elma, do RH, lá no 2º andar.
- Mas deveria tê-la pego quando foi contratado, Seu Gerson.
outro: - Ta bom, Sr. Otávio. Eu vou lá pegar.
hsp: - Mas, Seu Gerson! O elevador fica do outro lado! Seu Gerson! Seu Gerson...
- É... Pelo jeito, ele não me entendeu.
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