Cê já se sentiu assim, preso dentro de si?
Sem conseguir gritar, nem chorar, nem rir,
nem se calar, nem dormir.
Preso em um eterno entremeio,
em um compasso indecifrável.
Um infinito quase.
Uma energia que carrega, mas não explode.
Uma dor que não dói direito, nem alivia.
Uma noite que não vira dia.
Cê já se sentiu preso dentro das próprias ideias?
Como quem tenta escrever pra se livrar, mas não encontra o texto.
Literal demais, vago demais, dramático demais.
Não é possível que não haja uma solução pra isso.
Que todo poeta sofra com a própria poesia
e toda canção seja um parto.
Um retrato
do próprio abismo
sem fim.
Cê já se sentiu assim?
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